• Jomara Fernandes

É preciso ter um propósito?



Para o agente Smith, de Matrix, sim é fundamental! É o propósito que nos conecta, nos motiva, nos orienta, nos faz agir, nos define e nos une.

Por que propósito é fundamental?

Complementando o artigo anterior, ao buscarmos o significado da palavra propósito encontramos: tomada de decisão, deliberação, resolução; aquilo que se pretende alcançar ou realizar, intento, projeto, tenção; finalidade, fim, mira; tino, juízo, seriedade, prudência.

Utilizarmos a palavra propósito no contexto de propósito de existência podemos traduzi-la como a decisão que tomamos em relação à existência, o que queremos alcançar com ela ou nela, seu objetivo, e, ainda, o que julgamos ser existência.

Dessa forma, pensar sobre propósito da existência estão intrínsecos dois aspectos: escolhas (decisões como e onde quero chegar, que vida quero ter, que finalidade quero dar à minha vida etc) e crenças (no que acredito acerca da vida e da minha existência).

O aforismo grego “conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo”, atribuído a Sócrates, introduz o pensamento de que por meio do autoconhecimento é possível chegar ao conhecimento do todo. E só por meio do autoconhecimento é possível acessarmos nossas escolhas e crenças.

E são elas, nossas escolhas e crenças, que criam (e decidem, deliberam, projetam), a todo momento, nossa realidade.

Dessa forma, concordo com o agente Smtih, propósito é o que nos conecta, nos motiva, nos orienta, nos faz agir, nos define e nos une. E sim, é fundamental!

E quando não sabemos o nosso propósito, o que fazer?

Conectar conosco – aliás, o exercício do autoconhecimento deve ser constante! – e começar a explorar possibilidades de propósito a partir de ações.

Por exemplo... Se eu desejo um mundo onde todos tenham alimentos suficientes, começo a realizar ações em direção a isso que acredito. Posso começar não desperdiçando alimentos, doando alimentos, posso criar uma campanha com familiares, amigos e vizinhos para arrecadar grandes quantidades de alimentos, posso participar de grupos que fazem comida para pessoas em situação de rua, posso ensinar cultura de subsistência para famílias carentes, posso criar um negócio no qual a cada produto vendido uma pessoa seja alimentada, se tenho bons dotes culinários, posso abrir um restaurante e doar toda a comida que antes seria desperdiçada, posso virar uma pesquisadora das causas da fome em busca de soluções... Enfim, há tanto o que fazer.

Quando começamos a agir conforme o que acreditamos ser o nosso propósito, mesmo que não tenhamos tanta certeza disso, o propósito irá surgir.

Não! Isso não é mágica! É experimentação, é ampliação de contexto.

Se nosso contexto é estreito, dificilmente conseguiremos acessar o que de fato faz sentido para nós.

Propósito muda ao longo da vida?

Sim!

O filósofo existencialista, Jean Paul Sartre, diz que “Existir é assumir seu ser, ser responsável por ele em vez de recebe-lo como uma pedra”.

Nosso ser não é uma pedra, é algo em expansão.

Como tal, dois exercícios constantes são necessários: explorarmos (conhecermos) esse ser (nós) e explorarmos (conhecer) o mundo o que nos rodeia. Expandir o ser é sermos curiosos acerca de nós mesmos e do mundo no qual estamos inseridos.

Então, à medida que vamos nos conhecendo, conhecendo nossas verdadeiras motivações e quem somos abaixo dos condicionamentos, e conhecendo, explorando, investigando o mundo a nossa volta, vamos aprofundando o nosso conhecimento, por consequência, vamos mudando nossas crenças e nossas escolhas, por conseguinte, nosso propósito.

Posso viver sem propósito?

Sim, viver a vida sem propósito também é um propósito!

Lembre-se: propósito está intimamente relacionado às nossas crenças e escolhas, e só conseguimos ter clareza delas por meio do autoconhecimento.

Logo, a forma que cada um vive sua vida é uma escolha. E se isso faz sentido para você e se lhe faz bem, está tudo certo.

Voltando ao significado da palavra propósito – decisão, deliberação, juízo, finalidade –, e a Sartre – “existir é assumir o seu ser” –, é simplesmente uma escolha, que quando consciente, foi tomada com base em autoconhecimento e responsabilizando-se inteiramente pelas consequências da mesma.

A enfermeira autraliana Bronnie Ware, ao acompanhar seus pacientes terminais nas últimas 12 semanas de vida e questioná-los sobre seus arrependimentos ou o que fariam diferente, elencou os arrependimentos comuns – publicados no livro The Top Five Regrets of the Dying – e o primeiro deles é “Eu gostaria de ter tido uma vida fiel a mim mesmo”.

Meu propósito é ser feliz, tudo bem?

Sim, desde que você possa verificar especificamente o que é ser feliz para você e que você possa se responsabilizar por essa escolha.

Filósofos e cientistas conceituam a felicidade como a ausência do ter e do fazer, ou seja, a felicidade só é possível no ser. A felicidade, para ser real, precisa independer dos fatores externos.

E chegar a esse estágio de satisfação com a vida onde absolutamente nada, nenhum apego ao prazer e nem rejeição a dor, tira o estado de felicidade, é um excelente propósito!

Novamente caímos em crenças e escolhas. Ao escolhermos a felicidade como nosso propósito só faz sentido quando tomamos atitudes, reais, para atingi-lo.

Existe benefício em ter um propósito?

Sim, vários! Alguns exemplos são: alta performance, motivação intrínseca, criatividade, formação de redes colaborativas e prosperidade.

A PNL (Programação Neurolinguística) utiliza o conceito de congruência como um alinhamento de crenças, valores, habilidades e ações de tal maneira que você pensa, fala, faz e sente a mesma coisa.

Ao estabelecer um propósito congruente todo o meu ser estará voltado para realiza-lo, logo minhas ações serão mais fluidas, mais eficazes, mais centradas, mais rápidas etc, ou seja, quando todo o meu ser está imbuído de um propósito tenho uma concentração real de recursos, o que aumenta minha performance.

Por eu acreditar no meu propósito vou me sentir permanentemente motivado, será minha motivação intrínseca, é uma motivação que não depende de nada externo, apenas da minha crença e da minha escolha em realizar o que me destino.

Também, quando buscamos viver nosso propósito, naturalmente nossa mente busca expandir em torno do mesmo, instigando-nos a curiosidade, a pesquisa e a exploração do tema, deixando nossa mente mais criativa e, por que não, mais inteligente.

Da mesma forma que atraímos conhecimento acerca do tema do nosso propósito, também atraímos outras pessoas que simpatizam ou compartilham do mesmo propósito. Formando assim uma rede, em geral, colaborativa onde as pessoas se complementam, se apoiam e se ajudam.

Tudo isso cresce em progressão geométrica quanto mais genuíno for o nosso propósito. E a consequência só pode ser uma: prosperidade! Ao juntar alta performance, motivação, conhecimento (sabedoria e criatividade) e rede colaborativa o resultado não é outro senão próspero.

Pessoas de sucesso têm propósito?

Igual a felicidade é preciso saber qual o significado específico do termo “pessoas de sucesso”.

Na nossa concepção uma pessoa de sucesso é alguém que não precisa fazer esforço para conquistar o que acha que já tem. É alguém livre e capaz de parar com os padrões de vida robóticos e repetitivos. Não busca o prazer, nem evita a dor. Não tem vícios nem impulsos. Não fica constantemente julgando, culpando, criticando a si mesmo e aos outros. Nem tem a mente procurando incessantemente estímulos, mas sente-se completamente realizada apenas estando em silêncio. Não se importa com o que as pessoas pensam sobre ela, e assim não busca aprovação e reafirmação positivas a todo tempo.

E ainda assim, sim! Com certeza essa pessoa fez escolhas em relação ao que ela acredita profundamente sobre a vida.

Para terminarmos da forma que começamos...


Eu escolhi!!!


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