• Jomara Fernandes

Propósito e o Desconhecido


Recebi um vídeo essa semana em que o querido mestre Oscar Motomura, do Amana Key, fala, entre outras coisas, sobre a necessidade de pessoas capazes de lidar com o desconhecido em todos os setores do país. Essa frase inspirou o tema do post dessa semana: propósito e o desconhecido.


Você já pensou sobre isso? Que relação você acha que essas duas palavras têm entre si?


Qual deve ser a competência mais necessária para os que querem viver plenamente o seu propósito: a competência do planejamento e controle ou a competência de saber lidar com o desconhecido?


Para um bom e estruturado pensamento sobre isso precisamos dar um passo atrás e definir o que é, para nós, viver plenamente o propósito. Resumidamente, para mim, viver plenamente o propósito é estar alinhada a maior parte do tempo e no máximo de papéis possíveis ao meu propósito.


Como um dos papeis em que mais ligamos a propósito é o papel profissional vamos, para efeito didático, nos ater a ele nesse texto. Porém, lembre-se(!!!), propósito não deve estar ligado apenas ao papel profissional, mas sim em todos os papeis que exercemos na vida!


Voltando ao nosso tema inicial... Quando buscamos trabalhar, alinhados ao nosso propósito, que competência nos será mais útil: planejamento e controle ou capacidade de lidar com o desconhecido?


Se eu fosse responder três anos atrás, quando ainda não vivia plenamente o meu propósito, eu diria que planejamento e controle, porque acreditava que era uma questão de foco, de estudo de possíveis cenários, execução e ajustes para atingir o objetivo.


Hoje, respondo que é a capacidade de lidar com o desconhecido!


Em uma das primeiras sessões do Purpose Mining Game uma pessoa (que hoje super respeito e admiro) disse "-Penso que não somos nós que temos um propósito. É o propósito que nos tem." Achei a frase muito bonitinha, mas na minha cabeça pragmática da época ela não se encaixou muito bem. Depois veio o Frederic Laloux, em Reinventando as Organizações, com esse papo de propósito evolutivo e de escutar o propósito evolutivo. Um trecho do livro, citando Brian Robertson, fundador da Holocracia, diz:


"Isso é o que queremos dizer com propósito evolutivo; o mais profundo potencial criativo para trazer vida a alguma coisa, para contribuir para algo de forma energética e valorosa para o mundo. [...] É este o impulso criativo ou potencial que queremos sintonizar, independentemente do que desejamos para nós mesmos."


Nessa época já foi muito mais fácil de aceitar. Até porque fez link com o estado de presencing (combinação do sentir e da presença) da Teoria U e com o futuro que quer emergir através de nós.


Hoje, há mais de três anos estudando, pesquisando e, principalmente, vivendo intensamente essa história de propósito, percebo que há algo que transcende à minha vontade, algo que apresenta cenários muito mais prósperos e propícios dos que eu poderia imaginar. Eu diria, com muita tranquilidade, que viver plenamente o propósito é uma dança (nossa com o invisível) na qual os passos se combinam e se complementam... Se eu parar de dançar, nada acontece; se danço fora do ritmo, parece uma briga; mas se me sintonizo e acho o ritmo, a dança flui e ilumina o salão.


Porém, nunca sei ao certo o próximo ritmo nem os passos da dança. É preciso ouvir, sintonizar, aprender e dançar (agir). Logo, respondendo à pergunta do começo desse texto, saber lidar com o desconhecido, para mim, é a principal competência que deve ter quem quer viver plenamente o propósito.


E você, o que acha?

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